Tenho
andado tão ocupada, fazendo mil coisas ao mesmo tempo que não penso mais em
coisas agradáveis. Quando chego em casa, é banho e cama e mais nada.
Num desses
dias, consegui finalmente almoçar em casa (primeiro dia sem sanduíche e
almoçando no horário) e liguei o rádio na MPB FM. A primeira música do playlist
era a “Dois passos do paraíso” da Blitz e antes da música começar a tocar, a locutora falou algumas coisas sobre o grupo, a música e um show do grupo, em
algum ano da década de 80. Eu estava nesse show. Óbvio, com meus pais e meu
irmão, que pequeninho, quando viu uma carta gigante, representando a carta de “Arlindo
Orlando” (quem conhece a música vai entender), virou para o meu pai e disse: “olha
o tamanho da carta, papai”. Nesse momento, as lembranças da minha infância
vieram à tona e me emocionei.
Com a emoção, viram a reboque outras memórias e lembrei de um depósito da Yopa, que tinha no térreo do prédio onde minha família morava. Os sorveteiros buscavam ali seus produtos para
revendê-los. Os sorvetes amassados seriam descartados, se não fosse por um
detalhe: eu e meu irmão juntávamos jornal velho em troca dos sorvetes
amassados. E por que jornal? O jornal, acondicionado com gelo seco, protegia os
picolés e eles não derretiam. Lembro do
Seu Manuel que nos dava os picolés com a maior satisfação do mundo... Depois
veio o Seu João, que fazia o mesmo conosco. Como era bom...
O depósito
fechou, a Yopa acabou e as lembranças ficaram. Sei que o Seu Manuel mora em
Fortaleza com sua família, mas eu perdi o contato com a filha dele, que fez
ballet comigo. Do seu João ficou a lembrança dele ter vendido um Passat para a
minha família (minha mãe nunca conseguia engatar a ré do carro) e nada mais.
Lembro também do Eugênio, vendedor de sorvete muito simpático e gentil. Por
onde será que andam¿ Por ares terrenos ou celestiais?

