sábado, 15 de setembro de 2012

O gelo seco e nostalgia


Tenho andado tão ocupada, fazendo mil coisas ao mesmo tempo que não penso mais em coisas agradáveis. Quando chego em casa, é banho e cama e mais nada.
Num desses dias, consegui finalmente almoçar em casa (primeiro dia sem sanduíche e almoçando no horário) e liguei o rádio na MPB FM. A primeira música do playlist era a “Dois passos do paraíso” da Blitz e antes da música começar a tocar, a locutora falou algumas coisas sobre o grupo, a música e um show do grupo, em algum ano da década de 80. Eu estava nesse show. Óbvio, com meus pais e meu irmão, que pequeninho, quando viu uma carta gigante, representando a carta de “Arlindo Orlando” (quem conhece a música vai entender), virou para o meu pai e disse: “olha o tamanho da carta, papai”. Nesse momento, as lembranças da minha infância vieram à tona e me emocionei.
Com a emoção, viram a reboque outras memórias e lembrei de um depósito da Yopa, que tinha no térreo do prédio onde minha família morava. Os sorveteiros buscavam ali seus produtos para revendê-los. Os sorvetes amassados seriam descartados, se não fosse por um detalhe: eu e meu irmão juntávamos jornal velho em troca dos sorvetes amassados. E por que jornal? O jornal, acondicionado com gelo seco, protegia os picolés e eles não derretiam.  Lembro do Seu Manuel que nos dava os picolés com a maior satisfação do mundo... Depois veio o Seu João, que fazia o mesmo conosco. Como era bom...
O depósito fechou, a Yopa acabou e as lembranças ficaram. Sei que o Seu Manuel mora em Fortaleza com sua família, mas eu perdi o contato com a filha dele, que fez ballet comigo. Do seu João ficou a lembrança dele ter vendido um Passat para a minha família (minha mãe nunca conseguia engatar a ré do carro) e nada mais. Lembro também do Eugênio, vendedor de sorvete muito simpático e gentil. Por onde será que andam¿ Por ares terrenos ou celestiais?

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Centenário Nelson Rodrigues


Colégio Pedro II, Fluminense, futebol... Nelson Rodrigues escreveu muitas vezes sobre as grandes paixões da minha vida, além de outros tantos assuntos interessantes e curiosos...

Pornográfico, reacionário, louco... Foi chamado de muitos nomes, mas na minha opinião, o adjetivo que lhe cai bem é GÊNIO. Maior dramaturgo, escritor e cronista que o Brasil já teve. Mil anos passarão e não chegará ninguém aos pés do grande Nelson.

Hoje, centenário de seu aniversário, deixo a minha homenagem: como amante da literatura rodriguiana e fã do menino que via o amor pelo buraco da fechadura... O anjo pornográfico!

Como eu sei que nem todos irão concordar comigo (e nem quero, tem gente que prefere Paulo Coelho), encerro com uma frase perfeita:

“Toda unanimidade é burra.” – Nelson Rodrigues



sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Irmão, é preciso coragem

Sempre que eu ouço a expressão "bon courage", eu me lembro da novela Irmãos Coragem. A reboque, lembro da música da abertura, que tinha como um dos versos "irmão, é preciso coragem".
Está bom e o quico? O quico é que não tem graça nenhuma eu morar em um lugar e não poder soltar nenhum bordão, porque não haverá graça ou as pessoas não entenderão.
Acho que depois da comida (óbvio que a minha família é top 1 no quesito "sinto saudades"), a possibilidade de fazer uma piadinha no meu idioma e ser entendida, é o que mais sinto falta. Mesmo que as pessoas não achem graça.
Ainda mais agora, com o fechamento da academia para as obras de reforma, o que mais tenho ouvido é "bon courage avec les travaux". Ainda são 10:56 e já ouvi umas 15 vezes. Pelo menos é um sinal de que as pessoas sabem que será um transtorno, trabalhar ao som de marreta, martelo e entubando cheiro de tinta por 15 dias. Mas há males que vêm pra bem...


quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Casamento, divórcio e outras invenções da sociedade

O quanto deixa de ser submissa a mulher que se casa e não aceita o sobrenome do marido? O quanto deixa de ser macho o homem que se resigna em não ter o seu sobrenome na sua mulher?
Por razões práticas, não decidi usar o nome do meu futuro marido. Quando contei a novidade, ele ficou mais branco do que é e não aceitou muito bem a minha decisão. Justifiquei que teria muito trabalho para mudar todos os meus documentos e além do mais, em caso de divórcio, as coisas ficariam mais práticas para mim. Sim, eu penso em todas as possibilidades e não acredito no "viveram felizes para sempre".
Óbvio que a desculpa não colou e ainda tive que ouvir: "o que os nossos filhos vão dizer/pensar?". Eu disse, "oras, eles saberão a verdade que eu não optei pelo sobrenome do papai porque não queria ter trabalho para trocar a minha documentação". Mesmo com a minha justificativa, não continuou colando e a culpa nos filhos, que ainda nem nasceram, voltou à tona: "mas nossos filhos vão querer saber porque a mãe deles não tem o sobrenome do pai". Oras, quantas noivas agregam o sobrenome do marido ao seu sobrenome? Milhões? E quantas não o fazem? Muitas.
Sei que esse imbróglio vai rolar até o dia de fecharmos o contrato de casamento no notário e vou ouvir muitas justificativas ainda. Só fico pensando no tamanho do meu nome, caso agregue o sobrenome do Julien ao meu, ficaria gigante: porque não tiro nenhum dos meus sobrenomes. Como tenho um segundo nome agregado ao Tatiana, eu teria uma identidade com 5 nomes/sobrenomes...
Sei que é romântico, lindo e maravilhoso você assumir para o mundo o sobrenome do (novo) marido, mas a vida me ensinou que conto de fadas só existe no cinema. Para que vou agregar o sobrenome do meu marido? Para sambar na cara da sociedade, provando que sou casada? Para alterar o meu nome no Facebook e tirar onda pelo casamento? A essa altura do campeonato, tirar onda com casamento não é algo que possa a ser feito... Já estou com 35 anos, é meu segundo casamento e soa muito mais como prêmio de consolação.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

E-mail para quem nem sabe ler ainda

Minha sobrinha ainda não fez dois anos de idade, mas já tem conta de e-mail. Meu irmão, não sei porque cargas d'água, resolveu criar um e-mail para ela.
Eu, como tia coruja e apaixonada, tentei escrever o primeiro e-mail dela. Não escrevi muito, porque fiquei emocionada e não consegui terminar, então saiu o texto abaixo, que foi enviado assim mesmo.


Oi, Mariana

Não sei como você vai fazer para ler esse e-mail. Talvez, quando você já saiba ler, a tecnologia esteja mais avançada e eu possa demonstrar o que sinto por você de outra maneira.
Infelizmente, por escolhas e coisas do destino, sua tia mora longe de você. Beeeeeeeem longe, mas nada que a internet ou um avião não possam resolver.
Saiba que o amor que sinto por você é bem maior do que a distância que nos separa, bem maior do que a saudade que eu sinto de você todos os dias da minha vida. Te amo demais, minha bonequinha. Um dia, provavelmente no ano que vem, te darei priminhos. Você virá conhecê-los e eles passarão férias com você no Rio. Por mais que a distância seja grande, nada poderá me separar de você.
Você é a minha princesa, o meu amor, a minha boneca. Todos os dias peço a Deus que continue abençoando você e nossa família. Você foi o maior presente que Deus poderia ter me dado.

Um beijo dessa tia que te ama infinitamente,

Tatiana Leal

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Saudade de quem nunca se conheceu


Ontem, não sei porque cargas d’água, me peguei pensando nos meus avós: pai da minha mãe e mãe do meu pai.
Como é sentir saudade de algo que se nunca teve ou  alguém que nunca se conheceu? Pois é, eu sinto. De uma maneira inexplicável. Óbvio que eu sinto saudades da minha avó que está no Brasil e do meu avô que já desencarnou. Talvez o porquê, pelos que desencarnaram antes do meu nascimento, seja que tudo sobre eles está envolvido em uma aura lúdica, de mistério.
Conheci os dois através de histórias contadas pelo meu pai e minha mãe e tenho um enorme fascínio e curiosidade por eles. A doçura no olhar que minha avó paterna tinha e a brabeza e cuidado que meu avô materno tinha são bem visíveis para mim. Consegui criar uma imagem “real” através de fotografias e relatos. Pena que sobre a minha avó materna, pouco sei, já que ela desencarnou muito jovem, de tuberculose. Doença mortal, na época, nos anos 40.
Acho tenho um pouco dos meus quatro avós: o senso de humor e a vontade de fazer sempre o bem do meu avô Nestor, o cabelo e corpo da minha avó Marina (uma vez, sentada no muro da nossa casa em Barra de São João, meu pai começou a chorar, quando me viu e disse que estava exatamente como a mãe dele), a vontade de trabalhar e ser correto do meu avô Milede, o carinho e o cuidado da minha avó Lourdes.
Minha avó Marina desencarnou em 1948 (eu acho), meu avô Nestor em 1988, meu avô Milede em 1977. Eles estão vivos na minha memória e em meu coração e não tenho dúvidas de um dia irei encontrá-los e poder finalmente conhecer meu avô Milede e minha avó Marina.
Minha avó Lourdes está bem, apesar da idade avançada. Peço MUITO e SEMPRE a Deus para protegê-la e mantê-la bem. Gostaria muito que minha avó conhecesse os meus filhos, que ainda não nasceram mas estão planejados. Vou deixar o meu desejo nas mãos de Deus, se assim for a sua vontade.  E não há um dia que passe sem dizer  um “eu te amo” a minha avó...


terça-feira, 17 de julho de 2012

Desafio real

Depois de publicar uns desafios fofinhos no blog, volto para contar sobre um desafio real, que tenho enfrentado desde que voltei a Colomiers - FR, na segunda-feira passada. Após férias de 1 mês no Brasil, com muitos festejos e alegrias, voltei para fazer algo que não fazia há praticamente dois anos: trabalhar.
Trabalhar não é desafio, pelo contrário. Sentia muita falta de trabalhar e queria muito voltar ao batente o mais breve possível.
E o mais breve possível chegou: oficialmente a academia já é nossa. E eu, como uma das sócias, tenho que arregaçar as mangas e trabalhar. Como ainda não temos funcionários cuidar de um espaço de mais de 800m2, com os 360 atuais clientes é uma rotina um tanto quanto puxada.
Como a minha cidade é a sede da Airbus, temos clientes de várias nacionalidades. Além da Europa, tem gente dos EUA, México, Chile, Paraguai... Atender em inglês é mole para mim, tão fácil quanto atender em português. Confesso que ainda me enrolo um pouco com os francês, mas é natural e aos poucos vou decolando. Já converso tranquilamente no idioma, faço atendimentos e matrículas e minha vida pós trabalho é super tranquila, sem perrengues. Essa semana que estou sozinha na academia, achei que ficaria amedrontada: pelo contrário, tenho me saído bem. Se bem que ainda é terça-feira, mas após algumas horas de trabalho, já deu para notar que não terei maiores problemas. Minha jornada aqui é grande, acordo às 7h e às 8:30 a academia já está aberta. Às 21h fecho as portas e aí é o meu momento empreguete: limpo tudo, coloco lixo para fora, aspiro, entre outras rotinas de limpeza. Almoço na própria academia e quando preciso fazer um serviço de rua, peço ao Alain para ficar de olho na academia para mim. Alain é um cliente, treinador de rugby que sempre ficou de olho na academia em caso de necessidade. Ele continua com o posto porque é de confiança e está sempre pronto a nos ajudar. Sei que a partir de setembro as coisas ficarão mais calmas, será a nossa inauguração e já teremos funcionários para nos ajudar. 
Essa rotina para mim é tranquila, quando o desafio maior a enfrentar é lidar com gente. Incrível como o ser humano é instável. Felizmente, dos 360 clientes somente uma pessoa resolveu mudar seu comportamento comigo e com o Julien. Uma cliente, antes de nos tornarmos donos, era super amável conosco e nos tratava super bem. Dava beijinho, sorria, contava sobre sua vida. Agora, nada mais. Entra e sai sem nos dar bom dia. Isso na minha terra é falta de educação. Rolam uns boatos de que ela participa de "gangs bangs" e coisas do gênero, mas quem sou eu para julgar? Se ela mudou conosco porque está achando que vamos ficar imaginando coisas sobre ela, ela está perdendo tempo. Contanto que ela não faça no meu espaço, ela pode fazer o que ela bem entender, não irei julgar. Não estou nem aí, ela está dando o que é dela. 
Agora não tolero é falta de educação. Não faço questão de ser adorada por todo mundo, mas espero que as pessoas tenham o mínimo de educação comigo e com as pessoas que trabalham na academia.