O quanto deixa de ser submissa a mulher que se casa e não aceita o sobrenome do marido? O quanto deixa de ser macho o homem que se resigna em não ter o seu sobrenome na sua mulher?
Por razões práticas, não decidi usar o nome do meu futuro marido. Quando contei a novidade, ele ficou mais branco do que é e não aceitou muito bem a minha decisão. Justifiquei que teria muito trabalho para mudar todos os meus documentos e além do mais, em caso de divórcio, as coisas ficariam mais práticas para mim. Sim, eu penso em todas as possibilidades e não acredito no "viveram felizes para sempre".
Óbvio que a desculpa não colou e ainda tive que ouvir: "o que os nossos filhos vão dizer/pensar?". Eu disse, "oras, eles saberão a verdade que eu não optei pelo sobrenome do papai porque não queria ter trabalho para trocar a minha documentação". Mesmo com a minha justificativa, não continuou colando e a culpa nos filhos, que ainda nem nasceram, voltou à tona: "mas nossos filhos vão querer saber porque a mãe deles não tem o sobrenome do pai". Oras, quantas noivas agregam o sobrenome do marido ao seu sobrenome? Milhões? E quantas não o fazem? Muitas.
Sei que esse imbróglio vai rolar até o dia de fecharmos o contrato de casamento no notário e vou ouvir muitas justificativas ainda. Só fico pensando no tamanho do meu nome, caso agregue o sobrenome do Julien ao meu, ficaria gigante: porque não tiro nenhum dos meus sobrenomes. Como tenho um segundo nome agregado ao Tatiana, eu teria uma identidade com 5 nomes/sobrenomes...
Sei que é romântico, lindo e maravilhoso você assumir para o mundo o sobrenome do (novo) marido, mas a vida me ensinou que conto de fadas só existe no cinema. Para que vou agregar o sobrenome do meu marido? Para sambar na cara da sociedade, provando que sou casada? Para alterar o meu nome no Facebook e tirar onda pelo casamento? A essa altura do campeonato, tirar onda com casamento não é algo que possa a ser feito... Já estou com 35 anos, é meu segundo casamento e soa muito mais como prêmio de consolação.