quarta-feira, 31 de outubro de 2012

27/10/2012


segunda-feira, 15 de outubro de 2012

O tempo e as jabuticabas


O TEMPO E AS JABUTICABAS

Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para frente do que já vivi até agora.   Sinto-me como aquela menina que ganhou uma bacia de jabuticabas. As primeiras, ela chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.

Já não tenho tempo para lidar com mediocridades. Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados. 
Não tolero gabolices. Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.

Já não tenho tempo para projetos megalomaníacos. Não participarei de conferências que estabelecem prazos fixos para reverter a miséria do mundo. Não quero que me convidem para eventos de um fim de semana com a proposta de abalar o milênio.

Já não tenho tempo para reuniões intermináveis para discutir estatutos, normas, procedimentos e regimentos internos. Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturos.

Não quero ver os ponteiros do relógio avançando em reuniões de 'confrontação', onde 'tiramos fatos a limpo'. 
Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário geral do coral.
Lembrei-me agora de Mário de Andrade que afirmou: 'as pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos'. 
Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa...
Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade, defende a dignidade dos marginalizados, e deseja tão somente andar ao lado do que é justo.

Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade, desfrutar desse amor absolutamente sem fraudes, nunca será perda de tempo.

O essencial faz a vida valer a pena.

Rubem Alves

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Tatiana e etc


Qual o problema com a pronúncia do meu nome aqui na França?  Será que é somente por eu ser uma brasileira com um prenome eslavo e isso as pessoas não conseguem compreender?

“Tatianá” (com o sotaque francês) eu aceito numa boa e até acho bonitinho, porque sei que é complicado alguém por aqui pronunciar Tatiana normalmente. Mas me chamar de Tatânia, não é muito mais difícil? Vai chegar o dia que alguém vai me chamar de Taturana, Tarântula e aí o bicho vai pegar...

E se me chamarem de “Tataiana” não vou aceitar, porque só tem uma pessoa no mundo autorizada a me chamar assim: minha mãe.

O meu nome é minha identidade. Aliás, é mais importante do que minha identidade, porque eu já era Tatiana antes mesmo de nascer.