domingo, 29 de setembro de 2013

Aprendendo a viver na França: a gravidez de uma brasileira em território desconhecido



Posso dizer que fui “cobaia” para escrever esse artigo. Há um bom tempo queria escrever sobre as diferenças entre ter um bebê no Brasil e na França. A hora é agora: estou no sexto mês de gestação e já passei por praticamente quase todos os trâmites práticos e burocráticos que envolvem a gravidez e a organização do parto.
Acredito que a maior diferença entre ter um filho no Brasil e na França é o número de cesarianas: enquanto no Brasil grande parte dos bebês nasce através da cirurgia, na maioria das vezes por comodismo da mãe e do médico, na França a cesariana só ocorre em caso emergencial, quando há riscos para a mãe e/ou para o bebê. Lembrando que a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que 15% do total de partos seja cesariana. No Brasil, o percentual de cesarianas chega a 84% (em hospitais particulares) e 40% (em hospitais públicos).
A opção pelo parto natural não veio somente por estar na França: pensei bastante a respeito e decidi pelo parto que me permite uma recuperação mais rápida e menos dolorosa. Além de pensar em mim, pensei nos benefícios para o bebê, que são enormes quando se tem um parto natural, entre eles: o bebê respira melhor, acelera a descida do leite (logo ele pode mamar mais rápido) e o bebê se torna mais ativo e responsivo ao nascer. Assim sendo, já procurei o médico determinada – óbvio que ele SÓ me daria essa opção, mas chegar ao consultório decidida me deu mais segurança.
                Como no Brasil, a grávida na França é acompanhada  pelo ginecologista/obstetra, mas caso ela queira, pode ter o acompanhamento de uma “sage-femme”. Quando ouvi isso, a primeira coisa que me veio à cabeça foram as seguintes perguntas: o que é uma “sage-femme”? O que ela faz? A “sage-femme” tem o mesmo trabalho de uma “doula”? Esclarecendo: “sage-femme”e “doula” não são a mesma coisa. A “sage-femme” estuda muitos anos para se formar enquanto a “doula” serve para acompanhar a gestante, dar suporte emocional e normalmente se forma em um ano. A “sage-femme” é a profissional que acompanha a gestante em todas as fases da gravidez e no pós-parto, desde que a gestante não tenha nenhum problema, inclusive ela pode prescrever exames básicos. A “sage-femme” ainda explicou ao meu marido como fazer a bebê se mexer, para que ele a pudesse sentir na minha barriga – foi uma descoberta maravilhosa! Resumo da ópera: a “sage-femme” é uma enfermeira especializada em obstetrícia. Como é especialista, ela está apta a fazer o parto normal e durante o pré-natal ela dá os cursos de gestante. Nos hospitais públicos são elas que fazem o parto e o médico só atua em caso de necessidade. Durante a gravidez, a mulher pode optar por ser acompanhada por um médico ou pela“sage-femme” (eu escolhi o acompanhamento dos dois).
No final de setembro, tive minha primeira consulta com a “sage-femme”: ela me explicou tudo sobre o seu trabalho e me deixou ainda mais tranquila, com relação ao parto. Eu, que cresci com a cultura de que parir é sofrer, fiquei bastante feliz com os conselhos e as perspectivas para o futuro e em breve começarei os tais cursos (respiração, posição para o parto, amamentação e etc), para estar preparada para o grande dia. Tenho certeza de que minha experiência no parto será incrível e memorável.

sábado, 7 de setembro de 2013

Preparação psicológica para a chegada do bebê

Bebês choram. Choram muito. Bebês dificilmente dormem uma noite inteira. Bebês sentem dor. É a formação do intestino, os dentes apontando, as quedas quando começam a andar. Bebês não aceitam muito bem as papinhas salgadas, não gostam de água, estranham as frutas. Bebês reclamam de tudo. Gritam, fazem manha, choram...
Bebês pedem colo o tempo todo. Precisam dos pais o tempo todo. Bebês precisam se sentir seguros, protegidos, amados, queridos, acolhidos.
As expectativas precisam ser contidas. O choro não vai cessar. A dor dificilmente vai passar. O sono certamente não será tranquilo.
Bebês são exigidos demais. Tem que fazer cocô todo dia, não pode chorar, não pode fazer manha, não pode pedir colo, tem que dormir sozinho no berço, tem que comer toda a papinha, tem que aceitar chupeta, não pode chupar o dedo, tem que tomar todo o suco, tem que andar com um ano, não pode acordar no meio da noite... senão tem algo errado. Algo muito errado.
Não é assim.Bebês dão trabalho. Ponto. Fato. É isso.
Perde-se um tempo precioso reclamando do que eles fazem – ou deixam de fazer - ao invés de curtir os pequenos detalhes, únicos, momentos incríveis que jamais voltarão.
É preciso abstrair todo o cansaço, toda a loucura do dia-a-dia, todo o stress e nervosismo. É preciso administrar as dificuldades, é preciso saber lidar melhor com os problemas.
É preciso viver com mais intensidade, é preciso maior entrega. É preciso conseguir olhar através da parte difícil para enxergar a parte mais linda.
Diminuir as expectativas para aumentar - ainda mais – o amor.