quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Em memória de Aylan e Gailan

Vim morar na França porque eu quis não porque eu precisei mas sou tão imigrante quantos essas pessoas que deixam seus países em busca do sonho de uma vida melhor, fugindo da guerra ou da pobreza. Por isso, me sensibilizo e muito com a situação dos refugiados. Ver o corpo de uma criança, pouco mais velha que a minha filha, numa praia é chocante demais para mim. Não paro de chorar e de pensar em sua família, dizimada pelo horror de uma viagem trágica. Penso em todas as pessoas que já morreram nessas viagens. Precisamos fazer alguma coisa! Não só expressar nossa indignação e tristeza nas redes sociais. Os governos, não só da Europa, precisam se unir e solucionar esse problema. O Brasil precisa se solidarizar! Por que não receber parte desses imigrantes em nosso país? Se você chora a morte desses inocentes mas não os aceita em seu país, você é tão hipócrita quanto os políticos que preferem ignorar essa situação. 
Ah, antes que alguém me acuse, não sou indiferente às tragédias brasileiras. 

Descansem em paz, Aylan e Gailan. Que a morte de vocês não seja em vão. 


segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Promessas...

Durante a minha adolescência, ouvia muito o ditado "quem jura mente, quem acredita se arrepende". E quem promete?
Passei por uns perrengues no mês de maio e prometi que apagaria as minhas redes sociais até o dia em que minha filha entrasse na creche. Ela entra na creche no final do mês e de pouquinho em pouquinho tenho voltado minha atenção para o computador e o mundo virtual.
Aprendi que não preciso viver sendo radical e que eu posso usar o computador/celular e internet de uma maneira racional, sem prejudicar a mim e a minha filha.
Agora, por exemplo, ela está dormindo. É um bom momento para atualizar o blog e dar uma fuçadinha no Instagram e no Twitter... Aproveitar e recuperar meus contatos.
Por enquanto, só no computador e sem Facebook. Só voltarei a todo vapor no final de agosto... Até porque eu sei que irei me aborrecer no Facebook, em função dos problemas pelos quais o Brasil está passando. Assim, para manter a minha sanidade mental, Facebook só no final do mês!
I'm back!

sexta-feira, 1 de maio de 2015

E aos 4 meses...

Há alguns dias, comemoramos os 4 meses da Marina. Mais uma vez tentei fazer um bolo, mas colocar muita massa em uma forma pequena é um erro que jamais repetirei! O bolo cresceu e tinha bolo por todo forno! O ponto positivo é que esse bolo ficou gostoso (assim como o do "mesversário" de 3 meses) e não sobrou nada. Estou aprimorando a arte de cozinhar!
Tenho feito postagens no Facebook, a cada "mesversário" da minha filha, sempre com um texto meu ou uma música que transmita o que sinto por ela. Marina tem tornado cada dia da minha vida diferente, melhor, feliz. Acordar e dar de cara com um bebê bem humorado, que já acorda sorrindo e sem choro, é um sonho.
Minha boneca já dorme as noites inteiras (a não ser que haja algum evento diferente, ela acorda uma vez durante a noite), o que facilita bastante a minha vida: uma boa noite de sono me dá energia para cuidar dela, da maneira que ela merece, durante o dia.
Vou parar de trabalhar (consegui juntar minha licença maternidade com as férias), para me dedicar exclusivamente a ela. Amamento à demanda e curtimos muito a companhia uma da outra. Estar com a minha filha o tempo todo é o maior prazer que poderia ter!
A licença maternidade na França é menor do que no Brasil, mas aqui há uma licença muito bacana e e pretendo utilizar: é o "congé parental", que permite a mãe se afastar do trabalho pelo tempo necessário, com a garantia do emprego durante esse tempo. Não há salário, mas pelo menos ninguém fica desempregada quando o "congé" acaba.
Ah! Finalmente me livrei das roupas de grávida! Estavam largas e ontem saí para comprar algumas calças jeans, já que as de antes da gravidez não fecham. Meu consolo é que estou vestindo somente um número acima do anterior à gravidez!

Estaria o Mediterrâneo se tornando o mar da morte?



Temos visto recentemente, com grande pesar, naufrágios consecutivos, causando a morte de milhares de cidadãos africanos. O Mediterrâneo já está sendo chamado de cemitério pelas autoridades e é o destino final de muitos que não conseguem alcançar o sonho de fincar os pés na Europa para começar uma nova vida. O desejo de chegar na Itália e de lá partir para outros países é interrompido por acidentes que poderiam ser evitados, caso a política de imigração não fosse tão dura e o combate aos traficantes de pessoas fosse mais rígido. Estima-se que o tráfico de pessoas renda entre 300 e 600 milhões de euros por ano. Assim sendo, rendendo tanto, a quem interessaria interromper esse negócio?



                                                



A Frontex, agência europeia de fronteiras, diz que muitos dos imigrantes originais se tornaram "recrutadores, fazendo o elo entre gangues criminosas líbias e possíveis imigrantes". Os imigrantes são muitas vezes obrigados a entregar dinheiro e passaportes, deixando-os à mercê dos traficantes.  "Quando os governos fecham as rotas, o negócio apenas se torna mais lucrativo, porque a viagem é mais longa e mais perigosa. Você não pode pará-la, você tem apenas que gerenciá-la."







Existem diversas maneiras de entrar em um país legalmente mas por que as pessoas escolhem a mais letal?  A certeza do não, no pedido de visto, certamente. E o desespero em deixar um passado miserável e muitas vezes de guerra para trás.







Dorival Caymm escreveu e cantou, em tom poético “é doce morrer no mar / nas ondas verdes do mar”, dessa vez, hei de discordar: não é doce morrer no mar, meu caro.

 
Para entender o fluxo migratório no Mar Mediterrâneo, observe e analise os gráficos a seguir: