Temos visto
recentemente, com grande pesar, naufrágios consecutivos, causando a morte de
milhares de cidadãos africanos. O Mediterrâneo já está sendo chamado de
cemitério pelas autoridades e é o destino final de muitos que não conseguem
alcançar o sonho de fincar os pés na Europa para começar uma nova vida. O
desejo de chegar na Itália e de lá partir para outros países é interrompido por
acidentes que poderiam ser evitados, caso a política de imigração não fosse tão
dura e o combate aos traficantes de pessoas fosse mais rígido. Estima-se que o
tráfico de pessoas renda entre 300 e 600 milhões de euros por ano. Assim sendo,
rendendo tanto, a quem interessaria interromper esse negócio?
A Frontex,
agência europeia de fronteiras, diz que muitos dos imigrantes originais se
tornaram "recrutadores, fazendo o elo entre gangues criminosas líbias e
possíveis imigrantes". Os imigrantes são muitas vezes obrigados a entregar
dinheiro e passaportes, deixando-os à mercê dos traficantes. "Quando os governos fecham as rotas, o
negócio apenas se torna mais lucrativo, porque a viagem é mais longa e mais
perigosa. Você não pode pará-la, você tem apenas que gerenciá-la."
Existem
diversas maneiras de entrar em um país legalmente mas por que as pessoas
escolhem a mais letal? A certeza do não,
no pedido de visto, certamente. E o desespero em deixar um passado miserável e
muitas vezes de guerra para trás.
Dorival
Caymm escreveu e cantou, em tom poético “é doce morrer no mar / nas ondas
verdes do mar”, dessa vez, hei de discordar: não é doce morrer no mar, meu
caro.
Para entender o fluxo migratório no Mar
Mediterrâneo, observe e analise os gráficos a seguir: