Mostrando postagens com marcador Trabalho. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Trabalho. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Irmão, é preciso coragem

Sempre que eu ouço a expressão "bon courage", eu me lembro da novela Irmãos Coragem. A reboque, lembro da música da abertura, que tinha como um dos versos "irmão, é preciso coragem".
Está bom e o quico? O quico é que não tem graça nenhuma eu morar em um lugar e não poder soltar nenhum bordão, porque não haverá graça ou as pessoas não entenderão.
Acho que depois da comida (óbvio que a minha família é top 1 no quesito "sinto saudades"), a possibilidade de fazer uma piadinha no meu idioma e ser entendida, é o que mais sinto falta. Mesmo que as pessoas não achem graça.
Ainda mais agora, com o fechamento da academia para as obras de reforma, o que mais tenho ouvido é "bon courage avec les travaux". Ainda são 10:56 e já ouvi umas 15 vezes. Pelo menos é um sinal de que as pessoas sabem que será um transtorno, trabalhar ao som de marreta, martelo e entubando cheiro de tinta por 15 dias. Mas há males que vêm pra bem...


terça-feira, 17 de julho de 2012

Desafio real

Depois de publicar uns desafios fofinhos no blog, volto para contar sobre um desafio real, que tenho enfrentado desde que voltei a Colomiers - FR, na segunda-feira passada. Após férias de 1 mês no Brasil, com muitos festejos e alegrias, voltei para fazer algo que não fazia há praticamente dois anos: trabalhar.
Trabalhar não é desafio, pelo contrário. Sentia muita falta de trabalhar e queria muito voltar ao batente o mais breve possível.
E o mais breve possível chegou: oficialmente a academia já é nossa. E eu, como uma das sócias, tenho que arregaçar as mangas e trabalhar. Como ainda não temos funcionários cuidar de um espaço de mais de 800m2, com os 360 atuais clientes é uma rotina um tanto quanto puxada.
Como a minha cidade é a sede da Airbus, temos clientes de várias nacionalidades. Além da Europa, tem gente dos EUA, México, Chile, Paraguai... Atender em inglês é mole para mim, tão fácil quanto atender em português. Confesso que ainda me enrolo um pouco com os francês, mas é natural e aos poucos vou decolando. Já converso tranquilamente no idioma, faço atendimentos e matrículas e minha vida pós trabalho é super tranquila, sem perrengues. Essa semana que estou sozinha na academia, achei que ficaria amedrontada: pelo contrário, tenho me saído bem. Se bem que ainda é terça-feira, mas após algumas horas de trabalho, já deu para notar que não terei maiores problemas. Minha jornada aqui é grande, acordo às 7h e às 8:30 a academia já está aberta. Às 21h fecho as portas e aí é o meu momento empreguete: limpo tudo, coloco lixo para fora, aspiro, entre outras rotinas de limpeza. Almoço na própria academia e quando preciso fazer um serviço de rua, peço ao Alain para ficar de olho na academia para mim. Alain é um cliente, treinador de rugby que sempre ficou de olho na academia em caso de necessidade. Ele continua com o posto porque é de confiança e está sempre pronto a nos ajudar. Sei que a partir de setembro as coisas ficarão mais calmas, será a nossa inauguração e já teremos funcionários para nos ajudar. 
Essa rotina para mim é tranquila, quando o desafio maior a enfrentar é lidar com gente. Incrível como o ser humano é instável. Felizmente, dos 360 clientes somente uma pessoa resolveu mudar seu comportamento comigo e com o Julien. Uma cliente, antes de nos tornarmos donos, era super amável conosco e nos tratava super bem. Dava beijinho, sorria, contava sobre sua vida. Agora, nada mais. Entra e sai sem nos dar bom dia. Isso na minha terra é falta de educação. Rolam uns boatos de que ela participa de "gangs bangs" e coisas do gênero, mas quem sou eu para julgar? Se ela mudou conosco porque está achando que vamos ficar imaginando coisas sobre ela, ela está perdendo tempo. Contanto que ela não faça no meu espaço, ela pode fazer o que ela bem entender, não irei julgar. Não estou nem aí, ela está dando o que é dela. 
Agora não tolero é falta de educação. Não faço questão de ser adorada por todo mundo, mas espero que as pessoas tenham o mínimo de educação comigo e com as pessoas que trabalham na academia. 

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Foto 32 - Desafio dos 50 dias

O desafio de hoje é postar uma foto que represente o meu ano atual. Escolhi duas.
Estou na França há quase dois anos e a minha maior reclamação durante esse tempo era sobre trabalho: por não ter visto, não podia trabalhar. Não queria fazer nada fora da lei, porque a lei de Murphy é implacável e do jeito que sou "sortuda", se fizesse algo de errado, logo a imigração saberia e teria que voltar com o rabinho entre as pernas para o Brasil, com grandes chances de nunca mais poder colocar meus pés tamanho 38 em território europeu novamente.
Enquanto queria trabalhar e MUITO, via meus amigos reclamando em seus perfis no Facebook e no Twitter o quanto eles amavam feriados e o quanto eles odiavam seus trabalhos... Em um acesso de fúria, mandei todos pedirem demissão, para viverem o ano todo como eu, à toa na vida, vivendo cada dia como se fosse sábado. Óbvio que ninguém fez essa loucura mas pelo menos pararam de reclamar da vida... Porque só quem fica sem trabalho, sabe o quanto é ruim. No meu caso, óbvio, foi por opção. E o resultado foi o pior possível: engordei 14 kg por causa do ócio. Eu, que sempre fui magra, me tornei uma vaca, de tão gorda. Hoje, com 18 kg (disposta a perder mais 2) a menos, graças aos meus esforços diários (alimentação e exercícios, sem remédio), pude começar a me dedicar a uma atividade trabalhista!
Eu e Julien somos sócios em uma academia. Compramos a academia pronta e aos poucos vamos transformando. E agora eu vivo isso, respiro a academia diariamente: busca de fornecedores, obra, material, pesquisa de preços, contratação de pessoal... Não vejo a hora da academia ficar com a nossa cara e do nosso jeito. Toda renovada, linda e a todo vapor.
Voltei a viver, porque do jeito que estava, não vivia, hibernava.
Posso dizer, que a academia é o nossa "menina dos olhos" atualmente...