quinta-feira, 19 de julho de 2012

Saudade de quem nunca se conheceu


Ontem, não sei porque cargas d’água, me peguei pensando nos meus avós: pai da minha mãe e mãe do meu pai.
Como é sentir saudade de algo que se nunca teve ou  alguém que nunca se conheceu? Pois é, eu sinto. De uma maneira inexplicável. Óbvio que eu sinto saudades da minha avó que está no Brasil e do meu avô que já desencarnou. Talvez o porquê, pelos que desencarnaram antes do meu nascimento, seja que tudo sobre eles está envolvido em uma aura lúdica, de mistério.
Conheci os dois através de histórias contadas pelo meu pai e minha mãe e tenho um enorme fascínio e curiosidade por eles. A doçura no olhar que minha avó paterna tinha e a brabeza e cuidado que meu avô materno tinha são bem visíveis para mim. Consegui criar uma imagem “real” através de fotografias e relatos. Pena que sobre a minha avó materna, pouco sei, já que ela desencarnou muito jovem, de tuberculose. Doença mortal, na época, nos anos 40.
Acho tenho um pouco dos meus quatro avós: o senso de humor e a vontade de fazer sempre o bem do meu avô Nestor, o cabelo e corpo da minha avó Marina (uma vez, sentada no muro da nossa casa em Barra de São João, meu pai começou a chorar, quando me viu e disse que estava exatamente como a mãe dele), a vontade de trabalhar e ser correto do meu avô Milede, o carinho e o cuidado da minha avó Lourdes.
Minha avó Marina desencarnou em 1948 (eu acho), meu avô Nestor em 1988, meu avô Milede em 1977. Eles estão vivos na minha memória e em meu coração e não tenho dúvidas de um dia irei encontrá-los e poder finalmente conhecer meu avô Milede e minha avó Marina.
Minha avó Lourdes está bem, apesar da idade avançada. Peço MUITO e SEMPRE a Deus para protegê-la e mantê-la bem. Gostaria muito que minha avó conhecesse os meus filhos, que ainda não nasceram mas estão planejados. Vou deixar o meu desejo nas mãos de Deus, se assim for a sua vontade.  E não há um dia que passe sem dizer  um “eu te amo” a minha avó...


terça-feira, 17 de julho de 2012

Desafio real

Depois de publicar uns desafios fofinhos no blog, volto para contar sobre um desafio real, que tenho enfrentado desde que voltei a Colomiers - FR, na segunda-feira passada. Após férias de 1 mês no Brasil, com muitos festejos e alegrias, voltei para fazer algo que não fazia há praticamente dois anos: trabalhar.
Trabalhar não é desafio, pelo contrário. Sentia muita falta de trabalhar e queria muito voltar ao batente o mais breve possível.
E o mais breve possível chegou: oficialmente a academia já é nossa. E eu, como uma das sócias, tenho que arregaçar as mangas e trabalhar. Como ainda não temos funcionários cuidar de um espaço de mais de 800m2, com os 360 atuais clientes é uma rotina um tanto quanto puxada.
Como a minha cidade é a sede da Airbus, temos clientes de várias nacionalidades. Além da Europa, tem gente dos EUA, México, Chile, Paraguai... Atender em inglês é mole para mim, tão fácil quanto atender em português. Confesso que ainda me enrolo um pouco com os francês, mas é natural e aos poucos vou decolando. Já converso tranquilamente no idioma, faço atendimentos e matrículas e minha vida pós trabalho é super tranquila, sem perrengues. Essa semana que estou sozinha na academia, achei que ficaria amedrontada: pelo contrário, tenho me saído bem. Se bem que ainda é terça-feira, mas após algumas horas de trabalho, já deu para notar que não terei maiores problemas. Minha jornada aqui é grande, acordo às 7h e às 8:30 a academia já está aberta. Às 21h fecho as portas e aí é o meu momento empreguete: limpo tudo, coloco lixo para fora, aspiro, entre outras rotinas de limpeza. Almoço na própria academia e quando preciso fazer um serviço de rua, peço ao Alain para ficar de olho na academia para mim. Alain é um cliente, treinador de rugby que sempre ficou de olho na academia em caso de necessidade. Ele continua com o posto porque é de confiança e está sempre pronto a nos ajudar. Sei que a partir de setembro as coisas ficarão mais calmas, será a nossa inauguração e já teremos funcionários para nos ajudar. 
Essa rotina para mim é tranquila, quando o desafio maior a enfrentar é lidar com gente. Incrível como o ser humano é instável. Felizmente, dos 360 clientes somente uma pessoa resolveu mudar seu comportamento comigo e com o Julien. Uma cliente, antes de nos tornarmos donos, era super amável conosco e nos tratava super bem. Dava beijinho, sorria, contava sobre sua vida. Agora, nada mais. Entra e sai sem nos dar bom dia. Isso na minha terra é falta de educação. Rolam uns boatos de que ela participa de "gangs bangs" e coisas do gênero, mas quem sou eu para julgar? Se ela mudou conosco porque está achando que vamos ficar imaginando coisas sobre ela, ela está perdendo tempo. Contanto que ela não faça no meu espaço, ela pode fazer o que ela bem entender, não irei julgar. Não estou nem aí, ela está dando o que é dela. 
Agora não tolero é falta de educação. Não faço questão de ser adorada por todo mundo, mas espero que as pessoas tenham o mínimo de educação comigo e com as pessoas que trabalham na academia. 

domingo, 15 de julho de 2012

Mudança

Mais uma vez, me mudei. Há dois anos, foi de país. Em janeiro, foi de cidade. Em fevereiro, de apartamento. Agora, em julho, cá estou na minha casa.
Com tantas mudanças, óbvio que algumas coisas se perderiam. Inclusive a minha paciência. Mas no balanço geral, perdi: uma bolsa com roupas, uma caixa com TODOS os meus perfumes e uma fotografia. Fotografia de quando tinha dois anos de idade e abraçava, com um carinho imenso, o meu avô Nestor. Ainda tenho muitas esperanças de encontrar essa foto, porque para os bens materiais, eu não ligo, posso comprar tudo de novo. E a foto que não tenho como recuperar?

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Vou-me embora pra Pasárgada - Manuel Bandeira

Vou-me embora pra Pasárgada - Manuel Bandeira

Vou-me embora pra Pasárgada 
Lá sou amigo do rei 
Lá tenho a mulher que eu quero 
Na cama que escolherei 
Vou-me embora pra Pasárgada 

Vou-me embora pra Pasárgada 
Aqui eu não sou feliz 
Lá a existência é uma aventura 
De tal modo inconseqüente 
Que Joana a Louca da Espanha 
Rainha e falsa demente 
Vem a ser contraparente 
Da nora que nunca tive 

E como farei ginástica 
Andarei de bicicleta 
Montarei em burro brabo 
Subirei no pau-de-sebo 
Tomarei banhos de mar! 
E quando estiver cansado 
Deito na beira do rio 
Mando chamar a mãe-d`água 
Pra me contar as histórias 
Que no tempo de eu menino 
Rosa vinha me contar 
Vou-me embora pra Pasárgada 

Em Pasárgada tem tudo 
É outra civilização 
Tem um processo seguro 
De impedir a concepção 
Tem telefone automático 
Tem alcalóide à vontade 
Tem prostitutas bonitas 
Para a gente namorar 

E quando eu estiver mais triste 
Mas triste de não ter jeito 
Quando de noite me der 
Vontade de me matar 
-Lá sou amigo do rei- 
Terei a mulher que eu quero 
Na cama que escolherei 
Vou-me embora pra Pasárgada. 

domingo, 1 de julho de 2012

Diferenças culturais no trânsito

Muitos dos meus amigos me perguntam se eu não sinto falta do Brasil, morando fora há quase dois anos. Não sinto falta do país em si, sinto falta das coisas e pessoas que estão lá... Sinto falta do Fluminense, da minha família, dos meus amigos e eventualmente das comidas.
Não sinto falta da violência, da falta de educação, da sujeira e principalmente da falta de educação no trânsito. Do stress das pessoas dirigindo...
Muitos podem dizer que sou ingrata e que estou cuspindo no prato em que comi. Não sou. Dei todas as chances possíveis ao Brasil, tentei, ao máximo que pude, conviver com o caos brasileiro. Meu pai diz que não há lugar melhor no mundo que o Brasil, eu digo que não há lugar melhor no mundo para se passar férias como no Brasil.
Outro dia vi no Facebook uma campanha para se utilizar a seta, ao indicar mudanças de faixa ou de direção. Campanha no Brasil, infelizmente, só funciona a favor da maconha. Mas há que se ter uma pontinha de esperança, porque outras pessoas, assim como eu, se preocupam com a segurança no trânsito. "Dar a seta" é fundamental. É segurança para quem dirige e para o pedestre. Aqui damos seta até se vamos ultrapassar uma bicicleta na rua. Damos seta mesmo que não tenha carro na frente ou atrás, de tão enraizado que o hábito está... E em uma cidade cheia de rotatórias (o famoso "balão"), mesmo ao contornar, damos a seta.
Aliás, Colomiers (a cidade onde eu moro, na região de Toulouse) foi a primeira cidade da França a ter as famosas rotatórias...
Achei um blog que até mostra fotos das rotatórias ("ronds points") francesas: http://trobenet.centerblog.net/rub-poteries-.html




segunda-feira, 18 de junho de 2012

Aniversário

Bons amigos - Machado de Assis

Abençoados os que possuem amigos, os que os têm sem pedir.
Porque amigo não se pede, não se compra, nem se vende.
Amigo a gente sente!

Benditos os que sofrem por amigos, os que falam com o olhar.
Porque amigo não se cala, não questiona, nem se rende.
Amigo a gente entende!

Benditos os que guardam amigos, os que entregam o ombro pra chorar.
Porque amigo sofre e chora.
Amigo não tem hora pra consolar!

Benditos sejam os amigos que acreditam na tua verdade ou te apontam a realidade.
Porque amigo é a direção.
Amigo é a base quando falta o chão!

Benditos sejam todos os amigos de raízes, verdadeiros.
Porque amigos são herdeiros da real sagacidade.
Ter amigos é a melhor cumplicidade!

Há pessoas que choram por saber que as rosas têm espinho,
Há outras que sorriem por saber que os espinhos têm rosas!







sábado, 16 de junho de 2012

Homenagem ao amigo

Mesmo correndo, preciso postar essa bela homenagem, a um grande amigo...