sexta-feira, 1 de maio de 2015

E aos 4 meses...

Há alguns dias, comemoramos os 4 meses da Marina. Mais uma vez tentei fazer um bolo, mas colocar muita massa em uma forma pequena é um erro que jamais repetirei! O bolo cresceu e tinha bolo por todo forno! O ponto positivo é que esse bolo ficou gostoso (assim como o do "mesversário" de 3 meses) e não sobrou nada. Estou aprimorando a arte de cozinhar!
Tenho feito postagens no Facebook, a cada "mesversário" da minha filha, sempre com um texto meu ou uma música que transmita o que sinto por ela. Marina tem tornado cada dia da minha vida diferente, melhor, feliz. Acordar e dar de cara com um bebê bem humorado, que já acorda sorrindo e sem choro, é um sonho.
Minha boneca já dorme as noites inteiras (a não ser que haja algum evento diferente, ela acorda uma vez durante a noite), o que facilita bastante a minha vida: uma boa noite de sono me dá energia para cuidar dela, da maneira que ela merece, durante o dia.
Vou parar de trabalhar (consegui juntar minha licença maternidade com as férias), para me dedicar exclusivamente a ela. Amamento à demanda e curtimos muito a companhia uma da outra. Estar com a minha filha o tempo todo é o maior prazer que poderia ter!
A licença maternidade na França é menor do que no Brasil, mas aqui há uma licença muito bacana e e pretendo utilizar: é o "congé parental", que permite a mãe se afastar do trabalho pelo tempo necessário, com a garantia do emprego durante esse tempo. Não há salário, mas pelo menos ninguém fica desempregada quando o "congé" acaba.
Ah! Finalmente me livrei das roupas de grávida! Estavam largas e ontem saí para comprar algumas calças jeans, já que as de antes da gravidez não fecham. Meu consolo é que estou vestindo somente um número acima do anterior à gravidez!

Estaria o Mediterrâneo se tornando o mar da morte?



Temos visto recentemente, com grande pesar, naufrágios consecutivos, causando a morte de milhares de cidadãos africanos. O Mediterrâneo já está sendo chamado de cemitério pelas autoridades e é o destino final de muitos que não conseguem alcançar o sonho de fincar os pés na Europa para começar uma nova vida. O desejo de chegar na Itália e de lá partir para outros países é interrompido por acidentes que poderiam ser evitados, caso a política de imigração não fosse tão dura e o combate aos traficantes de pessoas fosse mais rígido. Estima-se que o tráfico de pessoas renda entre 300 e 600 milhões de euros por ano. Assim sendo, rendendo tanto, a quem interessaria interromper esse negócio?



                                                



A Frontex, agência europeia de fronteiras, diz que muitos dos imigrantes originais se tornaram "recrutadores, fazendo o elo entre gangues criminosas líbias e possíveis imigrantes". Os imigrantes são muitas vezes obrigados a entregar dinheiro e passaportes, deixando-os à mercê dos traficantes.  "Quando os governos fecham as rotas, o negócio apenas se torna mais lucrativo, porque a viagem é mais longa e mais perigosa. Você não pode pará-la, você tem apenas que gerenciá-la."







Existem diversas maneiras de entrar em um país legalmente mas por que as pessoas escolhem a mais letal?  A certeza do não, no pedido de visto, certamente. E o desespero em deixar um passado miserável e muitas vezes de guerra para trás.







Dorival Caymm escreveu e cantou, em tom poético “é doce morrer no mar / nas ondas verdes do mar”, dessa vez, hei de discordar: não é doce morrer no mar, meu caro.

 
Para entender o fluxo migratório no Mar Mediterrâneo, observe e analise os gráficos a seguir:




quinta-feira, 8 de maio de 2014

Manual de sobrevivência na França: Boas maneiras e tradições…

Ninguém no site está achando o leitor mal educado ou querendo ensinar a alguém boas maneiras. A questão é: nem sempre o comportamento em um país estrangeiro é igual ao da nossa terra natal.
Muitas coisas separam o Brasil da França e não é só um oceano. Há um “código” de atitudes bem diferente e se você viaja a França a passeio ou pretende se instalar aqui, é bom conhecê-lo. É sempre bom aprender um pouquinho sobre os costumes e hábitos de um lugar.
Moro há quatro anos na França e algumas coisas me causam estranheza (ainda), outras já incorporei – até porque tinha o mesmo hábito no Brasil.
Abaixo, listo algumas tradições francesas relacionadas aos bons hábitos de convivência e algumas coisas que acho diferentes.
- A francesa sempre coloca sua bolsa no chão. Em qualquer lugar, seja em casa ou em lugar público;
- É um sacrilégio cortar uma baguette com a faca! Faça como os franceses e corte-a com as mãos;
- O queijo é um item indispensável na vida do francês (assim como o pão): é sempre servido depois do prato principal e antes da sobremesa;
- Quase todo mundo bebe água da torneira. Nos restaurantes, há sempre uma garrafa de água disponível, o famoso “château la pompe”;
- Nenhum francês sai de casa sem olhar a previsão do tempo;
- Quase todos os franceses que conheço tiram os sapatos antes de entrar em casa;
- Todo mundo aprende a separar o lixo. Praticamente todas as residências têm um recipiente para o lixo reciclável e outra para o lixo normal;
- As crianças aprendem desde cedo a “bricolage” e quando crescem sabem fazer praticamente tudo em casa: desde pintura a hidráulica! No Brasil, estamos tão acostumados a pagar alguém para os serviços do lar que ainda estranho ver meu marido pintando a casa e consertando a banheira;
- Os supermercados franceses não oferecem mais a sacola plástica (a não ser que você pague), assim todos vão ao supermercado com as suas “ecobags”;
- Quanto mais ao norte, maior a pontualidade dos franceses. Ao sul, não espere tanta pontualidade assim;
- Ao entrar em qualquer lugar, todos dizem “bonjour”, mesmo crianças. Ao sair, “au revoir”. Outras palavrinhas mágicas são “s’il vous plaît”. Todos devem aprender e utilizá-las: é educado e simpático;
- Ao entrar em um restaurante, deve-se esperar por alguém para conduzir você até a mesa. Não é nada educado sair entrando e sentando;
- Gorjetas não estão incluídas no serviço, por isso são sempre bem-vindas se você foi bem atendido;
- Franceses assoam o nariz em qualquer lugar (mesmo à mesa), em alto e bom som;
- Na escada rolante do metrô, deve-se ficar sempre à direita, para que os mais apressados possam ultrapassar pela esquerda;
- Quando há outras pessoas na mesa para jantar ou almoçar, é educado esperar todos se servirem e começar a comer somente após o “bon appétit!”;
- Homens se cumprimentam com beijos no rosto;
- Leve uma garrafa de vinho, como cortesia, sempre que for convidado para um almoço ou jantar;
- Não existe frentista e muito menos flaneninha na França. Você terá que abastecer seu próprio carro e se virar sozinho para arrumar uma vaga e estacionar (vai ver é por isso que os franceses estacionam super mal);
- Buzinar no trânsito só em caso de extrema urgência, um acidente iminente, por exemplo (mesmo assim ouvimos muitas buzinas em Paris);
- Ainda é usado o “vous” na França. Nós matamos o “vós” há muito tempo no Brasil, mas “tu” e “vous” são para usos diferentes. Use o “tu” somente com pessoas próximas e o “vous” para todos os outros;
- Há uma distância a ser respeitada, contato físico é para pessoas muito íntimas. Nunca puxe as pessoas pelo braço para pedir informação ou para ser atendido em um restaurante ou uma loja, é muito grosseiro;
- Por último: fale baixo, respeitando as pessoas que estão ao seu redor.
Notou algumas diferenças com o Brasil ? Achou os franceses bastante rígidos ? Deixe seu comentário e divida sua opinião conosco.

*Texto escrito por mim e publicado no site da Comunidade Brasileira na França.
www.comunidadebrasileiranafranca.com/

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

E ela nasceu!



Finalmente pari. Depois de uma gravidez relativamente tranquila (tive enjoo, constipação e uma micro cirurgia no olho), entrei em trabalho de parto na madrugada do dia 06 de janeiro de 2014.
Minha filha nasceu no dia de Reis e no nascimento de Joana d’Arc. A previsão para o parto seria dia 08, mas como pedi a ela que viesse após a chegada dos avós, ela resolveu alegrar a minha vida com dois dias de antecedência.
Às 4 da manhã comecei a sentir as contrações, mas achei que era alarme falso: tomei um remédio e voltei a dormir. As contrações se tornaram constantes e vi que não era alarme falso, Marina estava querendo nascer! Chamei meu marido, tomei um banho e ainda tive calma o suficiente para chamar a minha mãe e explicar todos os detalhes da casa (eles chegaram no dia 05 e não tive tempo de mostrar e explicar os detalhes da casa para minha mãe, como o alarme e a placa de indução). Cheguei na maternidade e tudo correu super bem, mesmo com meu nervosismo de ter uma cesariana. Minha filhota estava sentada e não pude ter o parto natural, como desejava. O importante é que minha filha nasceu saudável e perfeita!
Depois de um super corte da cesariana (o médico falou que era na linha do biquíni, mas ele deve ter se esquecido que sou brasileira), uma mega hemorragia e uma recuperação dolorosa, cá estou, após comemorar o “mesversário” da minha boneca. 1 mês de alegrias, olheiras, falta de sono, discussões com meu marido e muito amor para a minha menina!
Seja bem-vinda a esse mundo minha franco-brasileirinha! Tenho tanto amor para te dar, que parece que meu peito vai explodir! E acho mesmo, porque com a quantidade de leite que tenho...
Meu pacotinho do amor: a vida é maravilhosa e é um presente de Deus. Iremos aproveitá-la juntas, o máximo possível, porque sei que um dia você seguirá o seu caminho. E mesmo assim, eu estarei do seu lado. Te amo!

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Carta para Marina

Minha filha,

Você é a realização de um sonho. Eu te esperei um pouquinho, para poder aproveitar a minha vida sem a responsabilidade de ter um filho a tiracolo. Você já faz parte de mim e te garanto: irá comigo para tudo quanto é lado. Conheci o Brasil inteiro, conheci metade do mundo. A outra metade, guardei para aproveitar com você.

Cada vez que sinto você na minha barriga, é um momento único, mágico e maravilhoso. Cada vez que você se mexe, quando ouve o seu pai, é lindo. O reconhecimento é imediato. Nossa conexão é incrível e eu sei muito bem que quando você crescer, essa conexão será com seu pai! Sim, já fui filha (e serei para sempre) e conheço muito bem a relação entre pai e filha. Você será louca pelo seu pai, terá a cara dele e irá me odiar em alguns momentos da sua vida. Eu entenderei, porque como disse, sei o que é ser filha.

Não há um dia da minha vida em que não acorde ou durma pensando em você. Passo os meus dias com você na minha cabeça e no meu coração. Cada minuto da minha vida é dedicado a você. Sonho com seu rosto, com seu crescimento, com suas aventuras no futuro. E eu estarei sempre ao seu lado, te apoiando quando você fizer a coisa certa e te repreendendo quando fizer a errada.
Sou uma pessoa de muita fé e você irá notar isso, à medida que você adquirir maturidade. Assim sendo, peço a Deus para que você se torne uma pessoa boa, que trilhe o seu caminho baseado nas leis do amor, do bem e da caridade.

Em breve, você estará em meus braços. Mal posso esperar para ver o seu rostinho, tocar a sua pele e cuidar de você. O amor é tão grande, que é impossível descrever... Venha, minha filha amada. Venha no seu tempo, quando você quiser, porque eu e seu pai estamos te esperando de braços e corações abertos.

Beijos,

Sua mãe

domingo, 29 de setembro de 2013

Aprendendo a viver na França: a gravidez de uma brasileira em território desconhecido



Posso dizer que fui “cobaia” para escrever esse artigo. Há um bom tempo queria escrever sobre as diferenças entre ter um bebê no Brasil e na França. A hora é agora: estou no sexto mês de gestação e já passei por praticamente quase todos os trâmites práticos e burocráticos que envolvem a gravidez e a organização do parto.
Acredito que a maior diferença entre ter um filho no Brasil e na França é o número de cesarianas: enquanto no Brasil grande parte dos bebês nasce através da cirurgia, na maioria das vezes por comodismo da mãe e do médico, na França a cesariana só ocorre em caso emergencial, quando há riscos para a mãe e/ou para o bebê. Lembrando que a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que 15% do total de partos seja cesariana. No Brasil, o percentual de cesarianas chega a 84% (em hospitais particulares) e 40% (em hospitais públicos).
A opção pelo parto natural não veio somente por estar na França: pensei bastante a respeito e decidi pelo parto que me permite uma recuperação mais rápida e menos dolorosa. Além de pensar em mim, pensei nos benefícios para o bebê, que são enormes quando se tem um parto natural, entre eles: o bebê respira melhor, acelera a descida do leite (logo ele pode mamar mais rápido) e o bebê se torna mais ativo e responsivo ao nascer. Assim sendo, já procurei o médico determinada – óbvio que ele SÓ me daria essa opção, mas chegar ao consultório decidida me deu mais segurança.
                Como no Brasil, a grávida na França é acompanhada  pelo ginecologista/obstetra, mas caso ela queira, pode ter o acompanhamento de uma “sage-femme”. Quando ouvi isso, a primeira coisa que me veio à cabeça foram as seguintes perguntas: o que é uma “sage-femme”? O que ela faz? A “sage-femme” tem o mesmo trabalho de uma “doula”? Esclarecendo: “sage-femme”e “doula” não são a mesma coisa. A “sage-femme” estuda muitos anos para se formar enquanto a “doula” serve para acompanhar a gestante, dar suporte emocional e normalmente se forma em um ano. A “sage-femme” é a profissional que acompanha a gestante em todas as fases da gravidez e no pós-parto, desde que a gestante não tenha nenhum problema, inclusive ela pode prescrever exames básicos. A “sage-femme” ainda explicou ao meu marido como fazer a bebê se mexer, para que ele a pudesse sentir na minha barriga – foi uma descoberta maravilhosa! Resumo da ópera: a “sage-femme” é uma enfermeira especializada em obstetrícia. Como é especialista, ela está apta a fazer o parto normal e durante o pré-natal ela dá os cursos de gestante. Nos hospitais públicos são elas que fazem o parto e o médico só atua em caso de necessidade. Durante a gravidez, a mulher pode optar por ser acompanhada por um médico ou pela“sage-femme” (eu escolhi o acompanhamento dos dois).
No final de setembro, tive minha primeira consulta com a “sage-femme”: ela me explicou tudo sobre o seu trabalho e me deixou ainda mais tranquila, com relação ao parto. Eu, que cresci com a cultura de que parir é sofrer, fiquei bastante feliz com os conselhos e as perspectivas para o futuro e em breve começarei os tais cursos (respiração, posição para o parto, amamentação e etc), para estar preparada para o grande dia. Tenho certeza de que minha experiência no parto será incrível e memorável.

sábado, 7 de setembro de 2013

Preparação psicológica para a chegada do bebê

Bebês choram. Choram muito. Bebês dificilmente dormem uma noite inteira. Bebês sentem dor. É a formação do intestino, os dentes apontando, as quedas quando começam a andar. Bebês não aceitam muito bem as papinhas salgadas, não gostam de água, estranham as frutas. Bebês reclamam de tudo. Gritam, fazem manha, choram...
Bebês pedem colo o tempo todo. Precisam dos pais o tempo todo. Bebês precisam se sentir seguros, protegidos, amados, queridos, acolhidos.
As expectativas precisam ser contidas. O choro não vai cessar. A dor dificilmente vai passar. O sono certamente não será tranquilo.
Bebês são exigidos demais. Tem que fazer cocô todo dia, não pode chorar, não pode fazer manha, não pode pedir colo, tem que dormir sozinho no berço, tem que comer toda a papinha, tem que aceitar chupeta, não pode chupar o dedo, tem que tomar todo o suco, tem que andar com um ano, não pode acordar no meio da noite... senão tem algo errado. Algo muito errado.
Não é assim.Bebês dão trabalho. Ponto. Fato. É isso.
Perde-se um tempo precioso reclamando do que eles fazem – ou deixam de fazer - ao invés de curtir os pequenos detalhes, únicos, momentos incríveis que jamais voltarão.
É preciso abstrair todo o cansaço, toda a loucura do dia-a-dia, todo o stress e nervosismo. É preciso administrar as dificuldades, é preciso saber lidar melhor com os problemas.
É preciso viver com mais intensidade, é preciso maior entrega. É preciso conseguir olhar através da parte difícil para enxergar a parte mais linda.
Diminuir as expectativas para aumentar - ainda mais – o amor.